sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Tratamento Ayurvédico para CANDIDÍASE feminina


O assunto de hoje é a candidíase, uma doença muito conhecida entre as mulheres.

A cândida é um dos muitos microorganismos que se instalam na boca e no sistema digestivo humano sem causar quaisquer danos - verificou-se que quase 80% da população possui esse fungo. Porém em condições anormais de saúde, onde o sistema imunológico está debilitado, esse fungo se multiplica demasiadamente e acaba causando condições patológicas de candidíase tanto na boca (conhecida como sapinho e mais comum em crianças) quanto na mucosa vaginal (conhecida como cândida propriamente dita, e mais comum entre mulheres).  

Sintomas primários:
-     Na boca: dor e vermelhidão da boca e mucosa, bem como manchas brancas ou placas na mucosa da língua e da bochecha. 
-    Na mucosa vaginal: comichão, vermelhidão e irritação da região exterior da vagina, bem como uma secreção branca e espessa.
     Sintomas secundários (Se encontram nos dois tipos de candídiase):
-       Baixa energia, má digestão, problemas de pele, estados febris, sistema imune fraco e alergias alimentares.

TRATAMENTO PARA AS MULHERES
O tratamento moderno inclui o uso de antibióticos e de sabonetes íntimos que  são agentes aniquiladores de fungos e bactérias.  Porém, no organismo humano esses fungos e bactérias não são sempre ruins, muitos deles são essenciais na manutenção de funções orgânicas importantes. Quando utilizamos esses tipos de medicamentos, tanto os microrganismos “ruins” quanto os “bons” são exterminados. Como consequência, temos efeitos colaterais indesejados e um organismo enfraquecido de maneira geral, dando oportunidade para que os fungos e bactérias nocivos se tornem resistentes e deixem o problema crônico.

Ayurveda tem uma outra perspectiva sobre esse problema, pois enxerga que a cândida é causada por uma digestão fraca, que além de formar de toxinas(ama), suprime a imunidade(baixo Ojas). Com o tempo, essas toxinas se movem para o sangue e dali para os outros órgãos, causando debilidade nos tecidos. Geralmente esse quadro é causado por excesso de Vata mas também pode ser proveniente do excesso de Kapha e Pitta.

Outras causas da candidíase são:
-uso excessivo de açúcar, drogas e antibióticos
-resfriados e gripes constantes
-sistema nervoso enfraquecido
-emoções como: preocupação, medo, tristeza e raiva

Tratamento geral: melhorar a digestão e sistema imune.
*para ayurveda sistema imune e digestão estão intimamente interligados!

Alimentação & Ervas Medicinais
-açúcar refinado, pão branco, produtos fermentados, laticínios, frutas doces, comidas cruas e bebidas geladas DEVEM SER EVITADOS!
-tomar chá de gengibre 20 min antes das refeições para melhorar o fogo digestivo.
-assafétida, pimenta do reino, cardamomo, cominho, açafrão,  devem ser usados nas preparações afim de melhorar a digestibilidade dos alimentos.
brahmi
-chás ou cápsulas de ervas como triphala, neem, vidanga e musta são utilizadas devido suas propriedades antifúngicas – outras ervas mais conhecidas como o cravo da índia e a canela também podem ser utilizadas.
-ervas como brahmi, guduchi e bala são utilizados para melhorar o sistema imune. Uma erva mais acessível aqui no brasil é a equinácea, também uma equivalente imunomoduladora. 

triphala
Tratamento local: higiene íntima
-ducha vaginal e/ ou banho de assento com triphala e neem ou com óleos essenciais de cravo da india, canela, lavanda e tea tree.
-evitar usar sabonetes nas partes íntimas e PRINCIPALMENTE evitar o uso de sabonetes íntimos.
-depois das eliminações dar preferência a se higienizar com água ao invés de papel higiênico.
-se usar papel higiênico,  sempre utilizá-lo no sentido genital-anal e nunca ao contrário para evitar risco de contaminação.
-dê preferencia a roupas íntimas 100% algodão.
-evitar ao máximo permanecer com roupas íntimas molhadas.
-e sempre que possível evite usar roupas íntimas - durante a noite é um bom momento para isso.

*higienização das roupas intimas: lavar as calcinhas no banho com sabonete vegetal e deixa-las de molho de um dia para outro. No molho utilize algumas gotinhas de óleos essenciais anti-sépticos como: tea tree, lavanda, cravo da índia, canela, gerânio, entre outros... uma outra alternativa é cortar um limão dentro da bacia de água que será utilizada no molho, assim o óleo essencial proveniente da casca é liberado e também exercerá essa propriedade anti-séptica. Depois deixar secar ao sol ou na secadora em dias úmidos. A dica final é utilizar nas calcinhas secas, o ferro de passar roupas.

É muito importante manter o sistema reprodutivo forte e saudável, pois é a partir desse tecido (sukra dhatu) que a essência mais refinada do corpo humano é produzida – Ojas.

Ojas é responsável pela nossa imunidade, resistência, devoção e alegria de viver. Ele é o reservatório de prana (energia vital), tejas (luz da consciência) e em última instância é nossa capacidade em gerar a vida... tanto externa quanto interna!


Namastê

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ghee.. saboroso e saudável!


O que é o Ghee?

O Ghee é o processo natural de purificação da manteiga, onde a parte saturada, proteica e tóxica é delicadamente removida através do cozimento. Desta forma, o Ghee é o melhor óleo para cozinhar, pois devido a seu alto ponto de fusão, pode ser levado a altas temperaturas sem que perca suas propriedades. Diferentemente, os outros óleos se tornam tóxicos com o cozimento, pois o calor modifica sua estrutura, formando gorduras trans e radicais livres devido processo de oxidação

Como regra geral os óleos refinados (que foram aquecidos e acrescidos de aditivos quimicos) devem ser evitados a qualquer custo,  são altamente cancerígenos e congestionantes do sistema circulatório e além disso, facilitam a formam ama (toxinas) no organismo já que sua digestão é muito dificultada.  


Devemos priorizar então, o consumo dos óleos EXTRA virgens, que são gorduras saudáveis porém NUNCA devem ser utilizadas para cozinhar. A vantagem do Ghee é que ele pode ser utilizado em ambos os casos, tanto in natura quanto no cozimento.

Tradicional preparação da medicina ayurveda,  o Ghee é cultuado como “o ouro liquido” devido a suas inúmeras propriedades terapêuticas - nutre o corpo, aumenta a imunidade(ojas), melhora a acuidade dos sentidos, melhora o funcionamento do fígado rins e intestinos, equilibra a digestão(agni), lubrifica as articulações, aumenta os fluidos sexuais e promove inteligência, memória e longevidade. Além disso serve como veículo e potencializador das plantas medicinais.

Na culinária, o Ghee é utilizado para realçar o sabor e aroma das especiarias. Deve ser substituído pela manteiga, margarina, óleos vegetais refinados e/ou banha - além de mais saudável, é extraordinariamente mais saboroso.

Pessoas de constutição Pitta e Vata se beneficiam muito do uso diário e constante do Ghee, porém pessoas Kapha, devem ser mais cuidadosas e usá-lo em pequena quantidade(tanto o Ghee quanto outros óleos), pois suas características semelhantes podem agravar a oleosidade natural desse biotipo. 

RECEITA
TORRADINHAS DE GENGIBRE COM GHEE
-Pegue algumas fatias do pão integral de sua preferência e passe um pouco de Ghee na superfície. Rale um bom pedaço de gengibre, coloque em cima das fatias pão e adicione uma pitada de sal. Leve ao forno até o pão torrar. Derreta 1 colher de sopa de Ghee na panela e regue as torradinhas depois de prontas.


*Quem se interessar, pode fazer encomendas de Ghee através do blog ou do email thaishatavari@hotmail.  





quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Yoga na Gestação e no Parto - Relato de Parto de Célia Regina da Silva


O Yoga na Gestação e no Parto: a Maternidade como Caminho de Auto-Conhecimento

O Yoga Sutra de Patanjali diz que o yoga tem 8 ramos ou partes e Iyengar dispõe estas como partes de uma árvore. A árvore do yoga é formada por oito partes que estão organizadas da seguinte forma: os Yamas (não violência - ahimsa, veracidade - satya, não roubar - asteya, domínio da energia - bramacharya e desapego - aparigraha) como a raíz; os Nyamas (pureza - saucha, contentamento - santosha, esforço sobre si mesmo- tapas, auto-estudo - swadhiaya, entrega ao Absoluto – Iswara pranidhana) como o tronco; os Ásanas (ou posturas psicofisicas) são os galhos; os Pranayamas (expansão da energia vital através da respiração) como as folhas; Pratyahara (a introversão dos sentidos) como a casca; Dharana (concentração) como a seiva; Dhyana (meditação) como a flor e Samadhi (êxtase) como o fruto.

Podemos usar a eterna sabedoria do yoga em nossa vida diária, e colher o fruto desta árvore, é estar inteiro, no momento presente. Isso requer trabalho e disciplina, e vou me aventurar a contar minha vivência, em todas as partes desta árvore, a partir da minha experiência de parto.

Se queremos uma árvore frondosa e com frutos saborosos precisamos preparar a terra. No caso de receber um bebê, isso significou para mim me (re) ligar com a Mãe Terra ou ou Shakti, a energia feminina que permeia tudo o que é manifesto. Também chamada de kundalini shakti, é a energia simbolizada por uma serpente adormecida na base da coluna. Intuitivamente, comecei a me dedicar a práticas que não costumava, tais como plantar, cozinhar, esperar para colher, tomar banhos longos, contemplar a lua e observar suas transformações. Foi um processo de desaceleração e de substituição da conquistadora, aquela que vai buscar o que quer a todo custo, por aquela que recebe, que contempla, que espera, que tem paciência e que cuida. Reverenciando assim a Mãe Terra foi possível acionar a mãe que existia latente dentro de mim.

Sempre quis adotar, mas senti que precisava parir antes, pois Eu precisava passar pela experiência do parto, das transformações do corpo e mais tarde pela amamentação. Para ser mãe foi preciso aprender a receber e a ter paciência. Foi saber ouvir meu mais profundo desejo (ou instinto) ou intuição. Foi saber ouvir minha verdade (satya), quando tudo em mim queria um filho.

Eu intuí que precisaria me preparar por inteiro, com corpo, mente, emoções, espírito. Nunca me auto-estudei tanto!(swadhiaya).E o yoga foi fundamental neste processo justamente por trabalhar em todos os níveis (físico, energético, emocional, mental e espiritual) e por ajudar em minha (re) conexão com a mãe Terra. Conhecer sobre o processo do parto através dos livros do Leboyer e do grupo de gestantes também foi fundamental.

Através do auto-estudo, descobri que minha verdade pedia por uma gestação e nascimento respeitosos, tanto comigo quanto com meu bebê (ahimsa). Este bebê deveria ser recebido de forma natural, sem intervenções desnecessárias, cercado de amor e harmonia, na privacidade do lar. Nosso tempo deveria ser respeitado e nossa separação acontecer calmamente. Com tempo para ele se acostumar a respirar, ele nasceria e viria direto para meu colo, para ser acarinhado e alimentado. Era isso que vibrava dentro de mim, e fui abençoada por encontrar uma equipe cujo trabalho é exatamente este, o de ajudar mães a terem seu filho naturalmente, com respeito e segurança, mantendo com a mãe o poder do parto, lembrando, cultivando, apoiando a mãe no seu poder de parir.

Era meu direito ter um parto respeitoso e humano e também do bebê de nascer quando estivesse pronto e sem violência e eu não permiti que nada nos roubasse esse direito. Também não permiti que as obrigações cotidianas, no trabalho, roubasse meus momentos de descanso e conexão comigo e meu bebê (asteya). Todavia, precisei manter a noção de que meu desejo e trabalho não garantiriam que eu atingisse meus objetivos. Foi cultivando o desapego dos resultados de minhas ações (aparigraha) que permitiu que eu não caísse em depressão depois de tanto sonho e energia investidos, quando tive minha primeira gestação interrompida antes do segundo mês.

Mantive a limpeza do corpo e a pureza da mente, com a prática constante de yoga, meditação e entoação (ou audição) de mantras. Era comum tomar banho de banheira ouvindo mantras que invocavam a mãe divina. Tive a oportunidade de perceber minha capacidade de praticar santosha, o sentimento de estarmos contentes com o que temos, quando demorei 9 meses para engravidar, perdi meu bebê em 2 meses de gestação e depois demorei mais 9 meses para engravidar novamente. Permanecer feliz e grata à vida neste período de muita espera foi um desafio. Depois disto, foi mais fácil praticar santosha, pois o contentamento se tornou meu estado de espírito dominante. Tive desapontamentos profundos, mas que não abalaram meu contentamento, pois estava conectada com a maravilha de gestar um bebê.

Cultivei o auto-esforço (tapas) exercitando meu corpo com caminhadas e prática de yoga para mantê-lo saudável. Muita atenção à respiração e conexão com o mar e a lua. Da mesma forma, mantive durante toda a gestação uma alimentação equilibrada e saudável.

Eu fazia a minha parte, mas mantive a consciência de que o meu ideal de parto feliz (parto natural em casa) não dependia apenas de minhas ações. Eu fazia o melhor que podia mas sabia que isso não garantiria que meu objetivo fosse alcançado. E tive a oportunidade de provar a mim mesma o quanto estava praticando esta entrega ao Absoluto (Ishvara Pranidhana), quando fui orientada pela equipe a conhecer uma maternidade e me familiarizar com a idéia de ter meu filho fora de casa, pois estávamos próximos das 42 semanas de gestação sem sinais de trabalho de parto. Visitamos a maternidade abrindo espaço em meu coração para receber meu bebê fora de casa e de parto cesárea. 

Não importava mais, neste momento, como ou onde chegaria meu bebê, pois o que eu queria era tê-lo em meus braços. Nesse processo de longa espera perdi completamente o medo da dor, que se transformou em um desejo, porque era essa dor que traria meu bebê para mim. Eu desejei, com toda força, sentir as contrações que anteriormente me amedrontavam.

No fim do dia em que visitamos a maternidade, na última consulta domiciliar de pré-natal, lembro-me dos penetrantes olhos azuis da enfermeira ao me dizer que naquela noite eu entraria em trabalho de parto e no dia seguinte meu bebê nasceria. Fui para a cama tranquila, mas quase não consegui dormir de tantas vezes que tive que ir ao banheiro com a barriga dura de contrações indolores. Assim segui por toda a noite. Pela manhã eu estava em franco trabalho de parto e esperei meu marido e as enfermeiras com sentimento de calma, segurança.

Mergulhei na respiração ujjay (pranayama), a respiração vitoriosa, que por uma leve constricção da glote produz um som semelhante ao barulho do mar. O mar de Varuna (deidade hindu), a quem eu entoei mantras ao passear pela beira da praia todos os dias depois do almoço naquele mês. O mar com suas águas que aprendi a reverenciar para acessar a Mãe Divina presente em mim, e com suas ondas que iam e viam, como aconteceria com as contrações.

Essa respiração me colocava “além da dor”. Eu sentia a dor, mas não me identificava com ela, não combatia, não negava. Fiz amizade com a dor, me entreguei. Quando as dores se intensificaram, não havia mais condições de permanecer deitada. Foi aí que meu corpo pediu a posição (asana) de quatro apoios: de joelhos sobre a cama abracei um pufe à minha frente. Assim permaneci durante todo o trabalho de parto, respirando ujjay, com meu marido e as enfermeiras massageando minha lombar e minha testa, na região do ajna chacra, onde eu sentia uma enorme pressão e calor.

Quando me disseram que já estava com quase oito centímetros de dilatação eu já estava afastada dos meus sentidos (pratyahara). Entendi que estava quase com a dilatação máxima e tinha acabado de começar a sentir dor. O bebê estava próximo e já podia ser tocado no canal de parto.

Eu via, ouvia, sentia as dores, as massagens, o cheiro das águas da bolsa recém- rompida, mas estava tudo longe dali. Eu estava completamente conectada comigo mesma, com minhas contrações, minha respiração e meu bebê. Isso tudo era uma coisa só e meu único foco (dharana).

Eu fui para o lugar que as enfermeiras chamava Partolândia. Um lugar fora do tempo e do espaço e de puro silêncio (dhyana). Lá eu fui buscar meu bebê. Eu já tinha vislumbrado este lugar no fim das aulas de yoga, quando minha professora conduzia um relaxamento profundo no fim da prática e me levava com sua voz a um lugar calmo, tranqüilo, onde eu encontrava com uma velha sábia que morava dentro do meu coração, que fazia parte de mim e me ajudaria a parir e a criar meu filho. Já tinham me dito que a razão e os pensamentos nos afastavam deste lugar e que a única forma de chegar lá era praticando a entrega e a confiança nos ritmos da vida.

No período expulsivo, entrei na banheira com meu marido. Continuava na Partolândia, vendo, ouvindo e sentindo tudo que vinha de fora lá longe...O corpo pediu que eu ficasse de cócoras (malásana), e com os pés firmes no chão da banheira cheia d’água, movimentava meus quadris exatamente como tinha feito na meditação em movimento da aula de yoga no dia anterior.

A respiração (pranayama) também mudou de ujjay para uma respiração mais lenta e profunda, para garantir maior oxigenação e relaxamento. Lá longe me esforçava para ouvir uma das enfermeiras que olhava firme em meus olhos dizer: _ “Cheire uma flor e sopre uma vela”. Entre as contrações nos olhávamos, sorríamos e trocávamos algumas palavras. E a cada contração, meu filho estava mais perto de mim.

Daqui em diante, fica difícil traduzir em palavras o que aconteceu. Eu e o mundo nos tornamos um. Eu me senti uma com a força da vida (e é muita força!). Eu estava em Yoga, em samadhi, o êxtase espiritual, o apogeu, o ponto mais elevado atingido na senda decorrente de todos os esforços para alcançar a união com o Absoluto.

“No samadhi, os rios da inteligência e da consciência fluem juntos e se fundem no oceano da alma, e então, a alma brilha em toda a sua glória”. (Iyengar)

E foi isso que me aconteceu quando meu filho chegou.Todos esses passos foram e são muito importantes na vivência da maternidade, que apenas inicia com a gravidez e o parto.

Referência: IYENGAR, B.K.S. A Árvore do Yoga. São Paulo, Globo, 2001.


Célia Regina da Silva é mãe do Caetano, que nasceu de um lindo parto domiciliar planejado com a equipe Hanami em Florianópolis. É Professora de Yoga para mamães e bebês no Yogashala (Florianópolis) e também é idealizadora da Fralda Madrinha (slings, fraldas e absorventes de pano). Conheça mais sobre seu lindo trabalho em Fralda Madrinha e Yogashala.



terça-feira, 11 de outubro de 2011

YOGA e AYURVEDA – Auto-conhecimento e Saúde


Hoje além de Ayurveda, vou falar um pouquinho sobre Yoga, que é a ciência irmã do Ayurveda.


Algumas pessoas acreditam que Yoga se trata apenas de exercícios físicos complexos ou alguma técnica zen para se manter relaxado, acreditam também que devem ser flexíveis ao extremo e ter super-poderes... Felizmente esta ilustração se encontra muito longe da verdade. 

Mas o primeiro passo do caminho yogiko é a conduta ética - que não tem como objetivo nenhuma conotação moralista, mas tem a intenção de trazer luz para valores universais que são muito importantes para um bem-estar tanto individual quanto social. Por isso, Yoga é para todos. 

Existem 10 valores universais dentro dos chamados Yamas e Niyamas. Mas aqui tratarei apenas do primeiro Yama: Ahimsa. No sânscrito a ordem escrita das palavras denota a escala de importância das mesmas. Ahimsa, traduzido como não-violência, é o primeiro, e portanto o mais importante dos valores, pois em essência todos os outros valores derivam dele. Começar pela não-violência,  indica a não-violência consigo mesmo. Mas em uma perspectiva maior, não-violência alude a qualquer tipo de violência: física, verbal e/ou mental, a qualquer ser vivente.

Entretanto qual é a medida dessa não-violência, já que violência para uma pessoa não é necessariamente para outra? A questão é mais simples do que parece: não faça para o outro o que você não gostaria que fizessem à você. Essa é a medida.

Quando tratamos da nossa saúde, Ahimsa é um importante passo para nos tornarmos responsáveis pelo nosso bem-estar.

Muitas vezes aquilo que não é saudável para nós é muito prazeroso (pelo menos a curto prazo), assim como aquilo que não é tão prazeroso muitas vezes é saudável. Mas felizmente, há coisas que são tanto prazerosas quanto saudáveis – prazerosas porque são saudáveis e saudáveis porque são prazerosas! Saúde não combina com sofrimento, mas combina com disciplina.

Um corpo sano sabe o que é bom para si, bem como uma mente saudável faz escolhas adequadas para o corpo... Mas para atingir esse ponto, precisamos reestabelecer a inteligência do nosso organismo, porque a partir daí as escolhas com Ahimsa acontecerão naturalmente.

Mas como reestabelecer essa inteligência - que é tão corrompida por alimentos altamente industrializados e contaminados, estilo de vida caótico ou sedentário, fortes emoções, excesso de estímulos sensoriais, artificialidades, falta de contato com ambientes e ritmos da natureza, entre outras coisas provenientes do estilo de vida moderno?

A Resposta é o auto-conhecimento.

Através do Ayurveda conseguimos reconhecer nossa natureza metabólica e então adaptar todos os aspectos de nossa vida para ajudar essa natureza a fazer seu trabalho da melhor maneira possível, evitando desequilíbrios e doenças e usufruindo do nosso potencial máximo de saúde e vitalidade.

Através do Yoga, conseguimos reconhecer nossa natureza estrutural (física) pela prática dos ásanas, bem como reconhecer nossa natureza mental, através da meditação, pranayamas e da auto-observação constante de nossa respiração, pensamentos, sentimentos e emoções, durante a execução das ações - seja na aula de Yoga, seja na vida. Assim é possível nos detectar padrões automáticos e destrutivos para nossa saúde, e ampliar nossa Consciência e Inteligência corporal.

Há também algo que cabe frizar aqui, já que estamos falando em Ahimsa e auto-conhecimento: existem diferenças entre as pessoas! Os organismos são sin-gu-la-res... o que isso significa? Significa literalmente que, néctar para uma pessoa, pode ser veneno para outra e vice-versa. Infelizmente isto é pouco respeitado por nós mesmos, e principalmente pela maioria dos profissionais da saúde - que passam o mesmo tratamento para todas as pessoas, pois não tratam a pessoa mas a sua doença; bem como por alguns “professores” de Yoga - que adotando uma paradoxal inflexibilidade, orientam a todos os seus alunos fazerem as posturas da mesma maneira: corrigindo aqui, apertando ali, forçando acolá...desconsiderando os limites musculares/ósseos de cada um e que por fim, acabam causando lesões sérias e irreversíveis em seus alunos. 
Como muito bem diz meu professor Pedro Kupfer: “se contorcionismo levasse a libertação, os contorcionistas de circo seriam seres iluminados”. Há também o excepcional trabalho do meu marido que trata justamente sobre isso, veja aqui.

A chave para saúde é Ahimsa assim como a chave para Ahimsa é o autoconhecimento. Nesse contexto, as ciências irmãs Yoga e Ayurveda, são como os dois lados de uma balança bem equilibrada... experimente!






quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Navaratri - Adoração a Mãe divina

O início da primavera e início do outono são duas junções muito importantes de influência climática e solar. Estes dois períodos(de acordo com o calendário lunar), são oportunidades sagradas para a adoração da Mãe Divina.


A Mãe Divina ou Devi/Shakti em sânscrito, é o aspecto puramente feminino, criador e ativo da Pura Consciência, que permeia tudo o que existe(manifesto e imanifesto). No mundo manifesto, a energia de Devi é muito bem simbolizada pela figura da mulher, da mãe e da grande mãe-natureza. Porém, esta mesma energia divina repousa em toda criação.

Então hoje, dia 28 de Setembro começa uma celebração muito importante, principalmente na Índia. Essa celebração terminará apenas dia 6/10, por isso é chamada de Navaratri. Nava em sânscrito significa 9 e ratri noites... são nove noites e 10 dias celebrando a vitória de Devi contra as forças demoníacas, que é uma maneira simbólica de representar a batalha contra os nossos próprios demônios internos.

Nos três primeiros dias e noites, Kali- a Deusa da força e da transformação é adorada. Ela é invocada para nos ajudar a destruir todas nossas impurezas.
Lakshimi


Nos três dias e noites seguintes, Lakshimi - a  Deusa da prosperidade é adorada. Ela é invocada para nos ajudar a adquirir riqueza interna e externa, bem como generosidade e abundância em nossas vidas. 


Nos três últimos dias e noites, Saraswati – a deusa do conhecimento é adorada. Ela é invocada para nos ajudar a adquirir Auto-Conhecimento    

No décimo dia, é comemorada a vitória propriamente dita, que simboliza que o Conhecimento foi adquirido.


Para os Hindus, o Auto-Conhecimento ou o Conhecimento da Verdade é o RE-CONHECIMENTO de que nós (e tudo o que existe) somos em essência Pura Consciência – eterna, ilimitada e bem aventurada.

Saraswati




Cabe lembrar que essas Deusas não são entidades separadas de nós, elas são apenas figuras simbólicas para representar nossos próprios poderes internos. Primeiro precisamos nos libertar das impurezas mentais, depois conseguir conforto suficiente para ter uma mente tranquila e apta para então, poder adquirir o Conhecimento.






Seja através do auto-cuidado, mantras, orações, rituais, meditações ou através do contato íntimo com a natureza…Esse deve ser um período de introspecção e de purificação, e tradicionalmente é um momento auspicioso para reverenciar o poder feminino à sua maneira.




Ya Devi Sarva Bhutesu Maa rupena samsthita 
Ya Devi Sarva Bhutesu Shakti rupena samsthita 
Ya Devi Sarva Bhutesu Buddhi rupena samsthita 
Ya Devi Sarva Bhutesu Laxmi rupena samsthita 
                                            

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Picolé de Leite Materno

Mãe diz que os picolés ajudam o bebê a aliviar incômodo dos dentes.

Nutricionista diz que, mesmo congelado, leite materno mantém propriedades.

Para fazer o picolé, Ariane coloca 50 ml de leite em cada forminha (Foto: Tatiane Queiroz/ G1 MS)Para fazer o picolé, Ariane coloca 50 ml de leite em
cada forminha (Foto: Tatiane Queiroz/ G1 MS)
A administradora  Ariane Osshiro, de 27 anos, resolveu inovar na alimentação do filho de oito meses e criou uma receita diferente: ela faz picolés de leite materno. A mãe mora em Campo Grande e contou ao G1 que a ideia ajudou o bebê a sentir menos calor e a driblar o incômodo por causa dos dentinhos que começaram a nascer.
O filho de oito meses, Pedro Osshiro, aprovou a ideia da mãe. “Ele adorou o picolé. Às vezes chupa até dois por dia”.
“Em Campo Grande as temperaturas são altas na maior parte do ano e o calor deixava meu bebê bem irritado. Por isso tive a ideia de fazer o picolé”, contou a mãe.
Para fazer cada picolé, a mãe coloca cerca de 50 mililitros de leite em uma forminha caseira já higienizada e depois coloca no congelador. Para tirar o leite do peito ela usa um bomba extratora. “Não dói nada e além disso é rápida e prática”.
Ela explicou que começou a dar o picolé de leite do peito para o filho depois que ele fez seis meses, que é o tempo mínimo de amamentação recomendado pelos pediatras. Ainda segundo a mãe, o bebê chupa o picolé apenas no período da tarde, entre as mamadas. “É como se fosse um lanchinho nutritivo”, brincou Ariane.
A especialista Paula Serafin, que é enfermeira e doutoranda em estudos sobre leite humano, afirmou que gostou da ideia. “Ela criou uma maneira divertida de alimentar o bebê sem deixar de dar o leite do peito que é muito importante para garantir a saúde dele”.
A nutricionista Elisabete Kamiya, que trabalha no banco de leite do Hospital Universitário em Campo Grande, explicou que o leite materno congelado  continua com a mesmas propriedades do leite em estado natural. “O leite materno contém carboidratos como lactose e oligossacarídeos, além de gordura, proteínas e vitaminas", informou a nutricionista.
No entanto, Kamiya aconselha as mães a consultarem o pediatra antes de mudar a alimentação do bebê.
picolé leite materno (Foto: Tatiane Queiroz/ G1 MS)Pedro, de oito meses, aprovou a ideia da mãe (Foto: Tatiane Queiroz/ G1 MS)POR TATIANE QUEIROZ DO G1/MSFONTE: http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2011/09/em-ms-mae-usa-picoles-de-leite-materno-para-amenizar-calor-de-bebe.html
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